quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Diário de Classe

Hoje foi meu primeiro dia de aula apó 5 anos longe da sala de aula. Meus pés estão um caco, pois eu não sei dar aula sentada. Mas foi uma tarde muito boa!!
Eu fiquei um final de semana inteiro planejando o que ia fazer e acabei não seguindo à risca meu planejamento.

O primeiro dia serve para que possamos conhecer e, principalmente, sentir a turma. Dei aula para um 5o ano com 39 alunos e duas turmas de 6o anos. Cada turma tem uma cara, um espírito, uma energia. A primeira correspondeu bem às minhas espectativas, pois achei que iria ter mais problemas com relação à indisciplina, pelo número grande de alunos. Felizmente foi tudo bem. Acho que o que ajudou foi a forma como me coloquei perante a turma. Comecei falando que eu não gostava de falar alto e muito menos de gritar, e que para que tudo corresse bem nas aulas, iríamos fazer uns combinados antes. Reforcei a questão do volume da voz dizendo que falar alto poderia fazer mal às cordas vocais e que poderia prejudicar a audição. Então preguei um papel pardo no quadro e escrevi o seguinte: "Estatuto do 5o ano A". Aí perguntei o significado da palavra estatuto e fiz a relação com o estatuto da criança e do adolescente. Então perguntei o que poderíamos escrever sobre os direitos e deveres dos alunos na sala de aula. Foi muito bom porque eles mesmos ditaram umas regras que nem eu mesma teria pensado se escrevesse sozinha. Dexei o cartaz fixado na parede e disse que sempre iremos relembrar os combinados.

A segunda turma foi um 6o ano. Faixa etária entre 10 e 15 anos. Quando entrei todos estavam quietos e assim continuaram a maior parte do tempo. Enquanto na outra turma eu tive que segurar a falação, nesta eu tive de estimular a fala. Depois da metade da aula a turma ficou meio dispersa por conta do recreio de outras turmas menores que era antes do deles. Nesta turma um dos alunos quis fazer umas gracinhas no começo, mas logo o fiz sentir-se meu aliado. Reforcei uns pontos positivos da fala dele e ignorei as gracinhas, que cada vez mais, davam lugar  a uma participação efetiva aos assuntos abordados. Falávamos sobre a arte na Pré-história sua importância e sua relação com outras matérias (História, Matemática, Lingua Portuguesa etc). Fechei a aula pedindo que desenhassem em seus cadernos algo que expressasse um desejo, assim como faziam os homens das cavernas quando desenhavam animais no intuito de dominarem a caça. Alguns não sabiam o que desenhar e dois disseram que já tinham tudo e que não desejavam mais nada na vida. Um deles me chamou a atenção. Ele desenhou um cortador de grama e disse que seu sonho era cortar grama. Como nem todos terminaram, fiquei de ver na aula que vem.
Vejam o que sonham estas crianças!!!!
A terceira turma tem entre 10 e 13 anos, sendo que uns dois têm 14.  Era uma turma mais dispersa que as outras. Com esta, fiz os combinados pela falação inicial e a dispersão. Todos queriam opinar sobre os itens do estatuto. Foi muito bom, porque eles acabavam chamando a atenção uns dos outros, quando eu começava a falar e tinha alguém conversando. Acho que com esta terei um pouquinho mais de trabalho. 

Terei de rever meu planejamento e ensinar algumas noções básicas de uso com a régua, espaçamento, proporção e simetria, especiamente na segunda turma, onde verifiquei que a maioria não era da escola no ano anterior.
Espero poder fazê-los acreditar neles mesmos. Desejo que cada um encontre dentro de si seu talento e que, daqui uns meses, eu possa ver um desenho diferente daquele cortador de gramas. Que seu sonho seja maior, do tamanho do seu potencial!!!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Prisão de Arruda. Fim da impunidade?!

Uma das boas notícias desta semana foi que o governador Arruda do DF passou a noite na cadeia, depois de ser  flagrado pagando propina a um jornalista, na tentativa de fazer com que este mentisse em depoimento à Polícia Federal sobre o dinheiro que ele recebera e que seria fruto do pagamento de propina por empresas que prestavam serviços para o governo do Distrito Federal. Seu advogado disse que era para a compra de panetones para os carentes. E eu achei que papai noel não existisse! Que injustiça a minha!!!!

Ao assistir no Globo News o governador corrupto chorando arrependido e dizendo em outra entrevista que perdoa a quem o denunciou, já que compreende o peso das imagens contra sua pessoa, consegui ficar chocada mais uma vez. Diante de tanta roubalheira, tanta corrupção, tanta impunidade, já era para estar acostumada com este tipo de notícia. Mas aprendi com meus pais que o certo é ser honesto, e que a dignidade e o bom carater estão expressos em nossas atitudes. Então ainda me surpreendo com muitas coisas que vejo e ouço.

Outro disparate que li foi o que o advogado do governador Arruda afirmou à imprensa: que Arruda está sendo submetido a constrangimento ilegal, pois a prisão, segundo ele, é "abusiva, ilegal e desnecessária". “Jamais se viu perseguição como a que vem atingindo há mais de dois meses o governador do Distrito Federal".
Ilegal???? Ilegal e abusivo são os impostos que pagamos. Ilegal e abusivo, é o valor do salário de professor, que tem que trabalhar numa jornada pesada de 60 a 100 horas semanais, porque professor trabalha na escola e em casa, para planejar as aulas, preparar material, pesquisar, corrigir, fazer diários e etc. Ilegal e abusivo é atitude do prefeito da cidade onde moro ter fechado duas creches deixando centenas de crianças sem educação e centenas de mães sem poderem trabalhar por não terem onde deixar seus filhos. A Constituição garante acesso à educação, dentre outros direitos,  e este está sendo descumprido. Não se vê nenhuma ilegalidade e abuso contra o trabalhador nestas situações????

Ouvindo a bandnews pela internet nesta manhã, soube que o promotor do caso Arruda, no caso de uma mulher que roubou uma caixa de chicletes, não concedeu habeas corpus a acusada. Pelo o que informou a notícia, a mulher está presa a dois anos aguardando o habeas corpus. Resta saber se este mesmo promotor será duro com Arruda como foi com a ladra da caixa de chicletes. Ladrão é ladrão. Não importa o tamamnho e o valor da coisa roubada, ou do arrrependimento ou não do meliante. A justiça tem que atingir a todos e a impunidade tem que acabar.

Uma lição para nós pais e professores:
Nós formamos gente. Formamos cidadãos. Nossa responsabilidade em aplicar sanções, desde uma infração que consideremos pequena aos nossos filhos e alunos, pode ensinar importantes lições sobre honestidade, respeito e ética.

Vejam este vídeo da cantora Ana Carolina lendo um texto escrito por Elisa Lucinda que fala exatamente sobre isso.

Vale a pena acessar!!!  http://www.youtube.com/watch?v=r-1Auy-EMpI

Um bom final de semana a todos!!