quinta-feira, 24 de maio de 2012

“Pedagogo dando aula de Artes? Onde já se viu? Ladrão de vaga”


Depois de meses sem escrever aqui no meu cantinho, encontrei um tempinho e uma motivação. Na verdade eu até tive momentos em que poderia ter ecrito algo, mas não queria escrever por escrever.  
Bom, muitas coias aconteceram desde a última vez em que fiz uma postagem. Uma das mais importantes foi eu ter voltado a estudar. Depois de quase 20 anos de conclusão do Ensino Médio, passei no ENEM e entrei na UFMS.  Era um sonho distante entrar numa universidade pública. Eu conclui meu ensino médio em escola pública e logo ingressei numa faculdade particular que oferecia dois cursos na época, início da década de 90. Não havia universidade pública na cidade onde eu morava, e eu não tinha condições financeiras de estudar e morar fora. Enfim, até pouco tempo eu pensava que por ter estudado a vida toda em escolas públicas a universidade pública estava fora do meu alcance. Mas eu estava enganada. Consegui entrar numa universidade pública, já meio velhinha(rsrsrs),  e me sinto muito feliz por essa conquista. Agora estou fazendo um dos cursos que nunca havia pensado fazer: Artes Visuais. Veja como a vida nos leva por caminhos que nunca imaginávamos percorrer. Eu que sonhava em ser psicóloga e que estudei 3 anos, também numa universidade particular, agora estou no mundo das artes.
No começo, me perguntei o que estava fazendo ali, mas acho que agora já sei. A essa altura do campeaonato, com uma licenciatura e um curso de Psicologia incompleto, me vejo trabalhando com Artes e voltando a lecionar. Talvez eu tenha nascido pra ser professora mesmo, mas relutava pela falta de valorização nos vários níveis. A arte sempre me atraiu muito, mas eu pensava que para ser artista tinha que ser rico. Agora vejo que basta ser gostar de arte, ser criativo, ter algum talento e ter vontade de aprender. A arte pode trazer rentabilidade, seja no campo da produção ou do trabalho como professor de artes.
Sou pedagoga e minha habilitação é para trabalhar nas séries iniciais e na Educação Infantil.  Contudo, quando morei numa cidade do interior, fui convidada a dar aulas de Artes am séries do ensino fundamental e do ensino médio. Como queria trabalhar, agarrei a oportunidade com vontade. Então durante um ano fui metida a professora de artes! Comecei meio perdida, sem saber direito como transmitir um conhecimento que eu tinha apenas noção, mas que nunca havia estudado. Pensei: “E agora? O que fazer?” Então, mergulhei de cabeça.
Nesse mergulho descobri que o artista ou o professor de artes é um sujeito multitarefas. Ele pesquisa, ele produz, ele cria, ele ensina. Em alguns posts do ano de 2010 coloquei algumas fotos dos trabalhos realizados pelos meus alunos. Na escola onde trabalhei, como na maioria das escolas estaduais, não há espaço próprio para trabalhar Artes. Não há uma sala com armários, materiais diversos, pias com torneiras ou bancadas. Não há sala de artes. O professor carrega pra cima e pra baixo os materiais com os quais vai trabalhar em cada turma que tem sua sala pré-estabelecida. Era meu caso. Certa vez estava tão cheia de materiais para carregar que levei um carrinho de compras com rodinhas. Eu também contava com a gentileza dos alunos para me ajudarem a carregar datashow e o que mais eu estivesse tentando equilibrar. Como eu sabia o que ensinar? Bom, eu seguia o referencial de conteúdos que o Estado envia para todas as escolas. Além disso, eu usava os vídeos do Arte na Escola. Somente isso. O Estado não envia nenhum livro ou material visual como material de apoio. Tem-se apenas o referencial com a ementa de cada ano dividida por bimestre. As imagens, os textos, os slides de aulas, a escolha de materiais, são preparados pelo professor. Assim eu fazia. Eu passava meus dias de folga pesquisando, estudando e planejando as aulas. Além disso, quando vinha para Campo Grande comprava livros de Arte nos sebos, ou então comprava pela internet mesmo. Os materiais que a escola não tinha, eu comprava do meu bolso. Eu tinha onze turmas de cinco séries para preparar as aulas. Nos municípios pequenos nem todos os professores são habilitados em suas áreas. Faltam professores habilitados em várias áreas e o professor de artes naquele município era substituído por um de outra área.
Acredito ter desenvolvido um bom trabalho, mesmo não sendo formada em Artes. Pelo menos tive boas intenções. Primeiro porque sempre procurei fazer um trabalho pedagógico que desenvolvesse o potencial do aluno, que o fizesse pensar, que o fizesse criar algo. Nunca acreditei na mesmice, nem na repetição de modelos pre estabelecidos, quanto menos na reprodução fiel dos livros didáticos.
Porém, recentemente, ao entrar no curso de Artes tenho ouvido algo recorrente: “Uma pedagoga dando aula de artes? Onde já se viu?” “O pedagogo está roubando o lugar dos professores de Artes” foi o que ouvi recentemente, sem que a pessoa soubesse que eu era uma pedagoga dessas, metida a professora de artes. Assim como há professores habilitados em História, Geografia, Português, Biologia e de outras áreas que se acomodam quando sentem e pensam que não são capazes de mudar o sistema, há aqueles que adotam uma postura diferente. São os que procuram fazer a diferença. Não para “aparecer” na escola, mas para efetivamente cumprir com o seu papel de educador e de transformador social. Durante meus muitos anos como professora tanto na rede particular quanto na pública, procurei sempre atuar como se fosse a primeira vez.
O professor, seja de que área for, tem que atuar como os iniciantes que adentram a carreira cheios de sonhos, de ideais e de energia. Eles, os novatos, começam a trabalhar pensando em mudar a realidade vigente, procuram desafiar os padrões impostos, e mesmo sem experiência, mesmo cometendo erros, buscam o melhor para seus alunos. Mesmo que o “sistema” sufoque a vontade e a critividade do professor, ele precisa resistir a esse efeito devastador que acomete a grande maioria dos profissionais. Não se deve deixar que o comodismo e a  desesperança tomem o lugar do compromisso e da vontade que todos abraçam no início da carreira.
Fico chateada quando dizem pejorativamente que pedagogos se metem a dar aulas de artes, como se fôssemos totalmente negligentes e totalmente despreparados. Também somos vítmas de um sistema que paga mal e que não oferece condições apropriadas para um trabalho de qualidade. Nem por isso, me sinto em dívida pelo trabalho que desenvolvi em 2010 como professora de Artes. A mesma pessoa que falou em alto e bom som sobre os pedagogos que estão roubando o lugar dos professores de artes, por questões de politicagem, disse também que aproximadamente 30% dos professores formados em artes, na mesma instituição onde faço artes, estão desenvolvendo um trabalho ruim nas escolas. Oras, há algo de errado nisso. Se fala mal de quem está trabalhando como arte educador sem ser habilitado e e também se fala mal de quem é habilitado. O professor habilitado em artes está desenvolvendo um trabalho tão ruim quanto o não habilitado? Quem pode ser responsabilizado por isso? Como suprir a falta de professores habilitados aqui na capital e nos municípios do interior? Como  explicar o baixo índice de aprovação de professores do estado e do município nos concursos públicos?
Em vez de criticar o pedagogo que nem tem vaga nos concursos do Estado de MS, e está tapando buracos para se sustentar, devia-se investigar sobre a baixa aprovação nos concursos, sobre as práticas mal sucedidas dos professores habilitados em suas áreas e principalmente buscar entender como um professor que trabalha dois e, às vezes, três períodos para ter uma renda razoável, pode desenvolver um trabalho de qualidade? Que tipo de suporte o Estado ou o Município dá a esse professor, seja ele habilitado ou não na área de Artes? O que está sendo feito para mudar e melhorar a qualidade na educação de modo geral?
Espero que esse preconceito contra os pedagogos não se estenda aos novos aspirantes à professores de Artes. Aquele que desenvolve bem o seu trabalho, não fica sem vaga para trabalhar. Ninguém está roubando a vaga de ninguém. Cada um está onde deve estar!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Em breve...





Olá visitantes, estive fora por um tempo fazendo muitas coisas e reorganizando a vida. 
Em breve estarei escrevendo sobre as novidades que trago em minhas bagagens. 
Um beijo